Vice-presidente da Câmara rebate acusações e se diz vítima de armação

por Secom CMBV — publicado 15/08/2018 20h55, última modificação 15/08/2018 21h13
Júlio Medeiros apresentou provas para fundamentar os argumentos e disse que só se pronunciou agora sobre o caso por conta de prazos previstos em inquérito
Vice-presidente da Câmara rebate acusações e se diz vítima de armação

Vereador Júlio Medeiros (Danielle Silva)

O vice-presidente da Câmara Municipal de Boa Vista, vereador Júlio Medeiros (Podemos), rebateu nesta quarta-feira as acusações de que teria agredido sua ex-chefe de gabinete e o filho dela, e afirmou ser vítima de armação. Em discurso de 45 minutos, o parlamentar apresentou provas para fundamentar os argumentos e explicou que só se pronunciou agora sobre o caso por conta de prazos previstos no inquérito policial.

Medeiros mostrou uma carta que teria sido escrita pela ex-servidora, com orientações para relatar as supostas agressões e divulgá-las nas redes sociais e na imprensa local. “Bomba | Bomba”, assim começa a carta.

O vereador também mostrou imagens registradas por três câmeras de ângulos diferentes de sua casa, que expõem as cenas de discussão. Segundo ele, os vídeos mostram que não houve agressão ou tentativa de sua parte, mas do filho da ex-chefe de gabinete ao parlamentar.

A sequência das imagens, segundo Medeiros, mostra a “tranquilidade” em que a ex-servidora aguardava o filho no pátio da casa do parlamentar, denunciando que o estado dela não era de quem acabara de ser “jogada ao chão”, “chutada”, e “teve joelho e tornozelo torcido, faca no pescoço”.

Quando o rapaz chegou de carro em frente à casa, a ex-chefe vai ao veículo, e, em seguida, o filho dela sai de dentro e caminha em direção ao portão da residência para dar vários pontapés. O vídeo mostra o rapaz danificando o portão.

Em outro ângulo, o vereador faz sinal de calma para o rapaz, que chega a ser contido por outras pessoas. Momentos depois, a discussão entre os dois começa em frente à casa. Em um momento em que os ânimos parecem ter se acalmado, Medeiros vai ao veículo do filho da ex-chefe de gabinete para pegar seus pertences, e o rapaz tentou agredir o vereador.

Diante do caso, Júlio Medeiros afirmou estar de “cabeça erguida”, e por várias vezes negou veemente as acusações. (Desde semana passada), eu fui crucificado, disseram que fui covarde, que bato em mulher. O que eu falei é a única verdade dos fatos, não trisquei nessa mulher”, disse.

No último dia 8, data da suposta agressão, o vereador disse que estava resolvendo problemas de seu partido (Podemos) e, por volta das 13 horas, recebeu sua ex-servidora em casa, onde houve divergência entre ambos sobre os rumos do partido.

Júlio Medeiros disse ter discordado da decisão dela de os candidatos do Podemos apoiarem um candidato ao Senado, momento em que o vereador disse à ex-servidora que procurasse o postulante ao cargo para que ele a empregasse.

Foi então que a discussão começou e culminou na decisão do vereador de demiti-la. “Realmente existiu uma discussão verbal acalorada, e todos sabem como sou, não vou mentir. Discutimos também, mas não passou disso”, disse Medeiros.

O vereador criticou quem fez juízos antecipados sobre o caso e revelou até um plano de um influenciador digital em tentar extorquir o Podemos para abafar o caso. “Esse homem foi no meu partido, pediu R$ 5 mil reais para não divulgar o ocorrido”, disse.

COMISSÃO INVESTIGARÁ O CASO

As declarações foram feitas um dia depois de a maioria do plenário aprovar por 12 votos favoráveis e uma abstenção, um requerimento assinado por nove vereadores, que autoriza a Comissão de Ética e Decoro Parlamentar apurar rígida e imparcialmente uma possível quebra de decoro parlamentar de Júlio Medeiros.

Medeiros, que é presidente municipal do Podemos, faltou à sessão de terça-feira por estar finalizando o processo de coligação partidária. Além disso, disse ter sido orientado pelo presidente da Casa, Mauricélio Fernandes (MDB), para que se explicasse só nesta quarta por conta da solenidade de entrega de honrarias realizada ontem, fato que fez a votação de projetos ser adiada para hoje.

Único que se absteve na votação do requerimento, o presidente da Comissão de Ética, vereador Albuquerque (PCdoB), criticou os parlamentares por conta da “pressa” que tiveram em aprová-lo na ausência de Medeiros.

“Eu tinha dito: calma, vamos esperar amanhã, porque a gente dá oportunidade ao vereador de vir à tribuna falar. Se ele falar a verdade, que fale, se ele falar mentira, será condenado”, disse.

Sobre o requerimento, Júlio Medeiros afirmou ser a favor, mas voltou a criticar um possível juízo antecipado. “Nunca apontei o dedo para ninguém sem entender que, quando aponta o dedo, tem três dedos apontados para ti”.

Medeiros disse que entrou com ação criminal contra a ex-servidora, o filho, o influenciador digital que teria tentado extorquir o partido, e quem está espalhando a história nas redes sociais e na imprensa.