Em sessão da Câmara no Caimbé, moradores reclamam de ‘prostituição a céu aberto’

por lucas93 — publicado 23/03/2018 09h15, última modificação 23/03/2018 09h41
Na sessão itinerante realizada nesta quinta, a prostituição foi o principal alvo da reclamação dos moradores do bairro Caimbé
Em sessão da Câmara no Caimbé, moradores reclamam de ‘prostituição a céu aberto’

Sessão itinerante no Caimbé (Danielle Silva)

“Prostituição a céu aberto”. Foi assim que, na sessão itinerante promovida pela Câmara Municipal de Boa Vista nessa quinta-feira, 22, alguns moradores do bairro Caimbé se referiram à prostituição e aos atos obscenos praticados nas ruas da localidade durante todos os dias, em qualquer horário.

A prostituição não é crime no Brasil. Mas, no caso do Caimbé, ela tem incomodado famílias preocupadas em preservar a infância de suas crianças. “Tem que existir respeito e limite”, disse Adriano Castilho, morador do bairro há 22 anos.

O problema foi a principal reclamação relatada no evento. Segundo alguns que estiveram na sessão, a prostituição praticada principalmente por venezuelanas provocou um aumento no índice de violência no bairro, o que pode ser notado pela frequência de roubos e do tráfico de drogas.

A população culpa a imigração venezuelana como o fator principal pelo agravamento dos problemas. “Não somos contra os venezuelanos, eu mesmo acolhi seis dentro da minha casa. Sou contra a prostituição”, disse a moradora Maria Pereira da Silva.

A vereadora Doutora Magnólia Rocha (PPS) pontuou que “não se pode culpar os nossos irmãos venezuelanos pela prostituição, porque casas de prostituição já existiam aqui antes. O problema só está piorando. E eu vejo que é viável, sim, que o Poder Público intervenha e tente minimizar esta situação”.

O vereador Manoel Neves (PRB), inclusive, sugeriu que a prostituição deveria ser transferida das ruas para espaços específicos para a prática, localizados longe de casas e escolas.

O chefe do policiamento da capital, coronel Lindolfo Bessa, esteve na sessão e relatou que a Polícia Militar atua de maneira preventiva aos problemas provocados pela prostituição. “Estamos realizando operações sistemáticas e periódicas, focadas não na prostituição em si, mas nos problemas que ela traz consigo, como tráfico de drogas, roubos, brigas e a vadiagem em geral”, explica.

Além da prostituição e do clima de insegurança existente, os moradores reclamaram de alagamentos durante o período chuvoso e a vulnerabilidade social. Por outro lado, a população solicita que o Poder Público intensifique as ações de segurança, melhore a iluminação pública, instale uma Casa Mãe e realize obras de saneamento básico.

Todos os assuntos abordados no evento serão reunidos em um relatório elaborado pela Câmara, que será enviado às autoridades competentes em resolver as problemáticas abordadas. “É um documento que tem força, porque tem a voz do povo”, disse a vereadora Mirian Reis (PHS), requerente da sessão.

Para o corretor imobiliário Davi Macedo, a sessão itinerante é a oportunidade para a população cobrar melhorias de seus representantes. “Tenho certeza que só temos a ganhar com a sessão. Parabenizo aos vereadores pela iniciativa e aos moradores do bairro que se dispuseram a estar aqui hoje”, declarou ele, que mora no bairro há 25 anos.

Esta foi a décima sessão itinerante realizada nesta Legislatura, sendo a primeira em 2018. Os vereadores já ouviram moradores de seis bairros, um residencial, duas ocupações urbanas e de comunidades indígenas do Baixo São Marcos, na zona rural. O próximo evento será na quinta que vem, no bairro Raiar do Sol.